Hérnia Discal: O que é, como se trata e quando deve procurar ajuda.
- osteovitalisclinic
- há 4 dias
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Já há algum tempo que sente uma dor na base da coluna e que irradia para a perna ou talvez seja uma dor no pescoço com sensação de choques ao longo do braço e não consegue encontrar uma posição confortável?
Se tentou repouso, anti-inflamatórios, botija de água quente, alongar e a dor continua, talvez estejamos perante uma hérnia discal.
Neste post vamos aprofundar este tema que aparece frequentemente em consultas na OsteoVitalis.

O que é uma Hérnia Discal?
A coluna vertebral é composta por vértebras separadas por discos intervertebrais, umas estruturas em forma de almofada arredondada, que funcionam como amortecedores naturais. Cada disco tem uma camada exterior resistente, chamada de anel fibroso e um núcleo interior gelatinoso conhecido como núcleo pulposo.
O que denominamos como hérnia discal ocorre quando o núcleo pulposo pressiona ou atravessa o anel fibroso, podendo deste modo comprimir as estruturas nervosas adjacentes. Os sintomas variam consideravelmente, dependendo da localização e da direção da herniação.
Onde se formam com mais frequência?
As hérnias discais surgem, na sua grande maioria, em duas regiões:
Região lombar (L4-L5 e L5-S1) — as mais comuns e associadas à ciatalgia (dor que irradia para a nádegas, coxa, perna e pé)
Região cervical (C5-C6 e C6-C7) — frequentemente associadas a dor no pescoço com irradiação para o ombro e braço
A região dorsal (meio das costas) é afetada com muito menos frequência, uma vez que esta zona tem uma maior estabilidade conferida pela grelha costal, cuja maior função é a de proteção dos orgãos presentes no tórax.
Como reconhecer uma Hérnia Discal?
Os sintomas dependem da localização e do grau de compressão nervosa. Os mais frequentes incluem:

Dor localizada na zona lombar ou cervical, que piora com certos movimentos;
Irradiação para membros, sendo mais frequente afetar uma perna (ciatalgia) ou braço (cervicobraquialgia). Existem casos em que a pressão é exercida a nível mais central e pode irradiar para os dois membros superiores/inferiores;
Formigueiros ou dormência no trajeto do nervo afetado;
Fraqueza muscular no membro afetado, nos casos mais avançados;
Dor que pode agravar ao tossir, espirrar ou fazer esforço.
Na maioria dos casos estes sintomas não estão todos presentes em simultâneo, sendo por isso a apresentação clínica, as conclusões recolhidas através da anamnese e os testes efetuados, um fator determinante para entender o quadro clínico.
Causas e fatores de risco
A hérnia discal raramente resulta de um único momento. É, na maior parte dos casos, o resultado de uma alteração progressiva do disco, que poderá ser acelerada por determinados fatores:
Sedentarismo e más posturas prolongadas — estar sentado muitas horas poderá aumentar a pressão intradiscal;
Esforços repetitivos — especialmente em situações com rotação e flexão simultâneas;
Excesso de peso — poderá sobrecarregar os discos lombares de forma crónica;
Envelhecimento natural — o disco normalmente começa a perder hidratação e elasticidade a partir dos 30 anos;
Genética — existem vários casos de predisposição familiar documentada.
É importante perceber que uma hérnia discal visível numa ressonância magnética não significa necessariamente dor. Estudos populacionais mostram que uma percentagem significativa de adultos sem qualquer queixa apresenta hérnias discais assintomáticas.
O que diz a evidência científica sobre o tratamento?
"O fenômeno da reabsorção das hérnias discais lombares é algo bem reconhecido. Como a sua incidência geral é de 66,66%, de acordo com nossos resultados, o tratamento conservador pode se tornar a primeira opção para o tratamento das hérnias discais lombares" — Zhong et al., European Spine Journal, 2017
Este é um de vários artigos efetuados na área, que apontam o fato da resolução espontânea e a melhoria com tratamento conservador terem uma grande prevalência. O tamanho da hérnia, por si só, não determina a necessidade de cirurgia, mas mais importante que isso, o que conta é a evolução clínica do doente.
Tratamento conservador: o que funciona ?
A abordagem não cirúrgica é o ponto de partida recomendado pelas principais diretrizes internacionais:
Osteopatia - Através de técnicas apropriadas a cada caso, o osteopata trabalha para reduzir a tensão nos tecidos periarticulares, melhorar a mobilidade segmentar e aliviar a compressão nervosa. A osteopatia atua também nas estruturas musculares, fasciais e viscerais que frequentemente agravam o quadro clínico por espasmo de defesa.
Fisioterapia - O fortalecimento progressivo da musculatura estabilizadora da coluna é algo fundamental para melhorar os sintomas e reduzir uma recidiva. A fisioterapia deve ter uma abordagem que atue na causa biomecânica, não apenas na sintomatologia.
Acupuntura - Tem surgido uma evidência crescente que suporta o uso da acupuntura no controlo da dor associada a hérnias discais, com efeito analgésico e anti-inflamatório.
Educação terapêutica e adaptação postural - Esta componente é tão importante como qualquer tratamento, pois também é muito necessário saber como se sentar, levantar objetos, sendo esta informação algo que faz uma diferença real na recuperação e na prevenção de recaídas.
O repouso absoluto e prolongado, ao contrário do que muitos ainda acreditam, não é recomendado e pode inclusivamente, em muitos casos, atrasar a recuperação.
⚠️ Sinais de alerta: Quando procurar ajuda com urgência?
A maioria das hérnias discais evolui bem com um tratamento conservador, no entanto, existem situações que exigem avaliação médica urgente:
Perda de controlo dos esfíncteres (bexiga ou intestino) — pode indicar síndrome de cauda equina, uma emergência neurológica;
Fraqueza muscular progressiva e rápida num membro inferior ou superior;
Dormência na zona genital ou região do períneo (zona em sela);
Dor que não cede com repouso e piora progressivamente à noite;
Febre associada a dor intensa na coluna — pode indicar infeção ou outra causa não mecânica.
Estes sinais não são comuns, mas é essencial reconhecê-los. Perante qualquer um deles, é extremamente importante que se dirija a um serviço de urgência ou consulte um médico de imediato.
O que levar deste artigo
Uma hérnia discal é dolorosa e limitante, mas na maioria dos casos reversível. A evidência científica aponta que a maioria das pessoas recupera com uma abordagem conservadora bem conduzida, sem necessidade de cirurgia. A chave está em intervir cedo, de forma estruturada, com profissionais que entendam a coluna na sua globalidade.
Na OsteoVitalis, trabalhamos em equipa multidisciplinar com osteopatas, fisioterapeutas e acupuntores, para que consigamos abordar a hérnia discal de uma forma integrada, aliviando a dor, tratando a causa biomecânica e devolvendo-lhe a mobilidade e qualidade de vida.
Tem uma dor que irradia desde a cervical ou lombar há algum tempo? Marque uma avaliação inicial na OsteoVitalis e perceba exatamente de onde vem a sua dor e o que pode ser feito.
Referências Científicas
Zhong, M. et al. (2017). Incidence of spontaneous resorption of lumbar disc herniation: a meta-analysis. Pain Physician, 20(1), E45–E52.
Oliveira, C.B. et al. (2018). Clinical practice guidelines for the management of non-specific low back pain in primary care: an updated overview. European Spine Journal, 27(11), 2791–2803.
Deyo, R.A. & Mirza, S.K. (2016). Herniated lumbar intervertebral disk. New England Journal of Medicine, 374(18), 1763–1772.
Vickers, A.J. et al. (2018). Acupuncture for chronic pain: update of an individual patient data meta-analysis. Journal of Pain, 19(5), 455–474.
Aviso importante: O conteúdo deste artigo tem fins exclusivamente informativos e educativos. Não substitui uma consulta clínica, um diagnóstico médico ou osteopático, nem qualquer forma de tratamento de saúde individualizado. Cada pessoa é única. Os sintomas descritos neste artigo podem ter causas diversas que só uma avaliação presencial permite identificar com rigor. Se tiver dúvidas sobre a sua situação clínica, consulte um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas graves, agravamento súbito ou sinais de alerta, recorra aos serviços de urgência. A OsteoVitalis não se responsabiliza por decisões tomadas com base exclusiva na leitura deste conteúdo.



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